quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ninguém abre minha cabeça sem diploma! Por Reinaldo Azevedo.


02/12/2011
 às 4:49

Ninguém abre a minha cabeça sem diploma!

Escrevi anteontem um post criticando a aprovação, em primeira votação, no Senado, de um Emenda Constitucional que torna obrigatório o diploma de jornalista. Minha Nossa Senhora de Forma Geral!!! — para citar a “deusa” da devoção de Dilma Dilma Russeff (os novos leitores, e há milhares, podem clicar, mais tarde, aqui para entender o gracejo). O jornalismo seria a única profissão regulamentada na Constituição! A Carta não exige diploma nem de ministro do Supremo (Art. 101). E olhem que há um ou dois que, com efeito… Mas deixo isso pra lá agora. Tornar a regulamentação de uma profissão matéria constitucional é de um ridículo constrangedor.
Alguns leitores ficaram bravos. “Precisa de diploma pra médico? Pra engenheiro? Por que não pra jornalista?” O grande neurocirurgião Marcos Stavale, por exemplo, que abriu a minha cabeça, deve ter diploma, hehe. Não pedi pra ver… A reputação, justíssima!, era gigantesca. Confiei a ele o que tinha de mais precioso depois da Pipoca Maria Corintiana da Silva. Eu não entraria num túnel projetado e executado por curiosos. Alguns engenheiros já dão trabalho, né?… Há profissões que requerem tal aprofundamento técnico e  lapidação de eventuais talentos naturais que seria uma temeridade permitir que as pessoas a exercitassem sem a mais rigorosa e vigiada formação acadêmica. Bem, queridos, com o jornalismo, é diferente. Vamos ver.
Ah, o odor nauseabundo que emana do corporativismo bocó, mas muito eficaz em manter os próprios aparelhos e privilégios. O presidente da Federação Nacional dos Jornalista (Fenaj), Sérgio Murilo, afirma que algumas pessoas que pediram registro de jornalista nunca pisaram numa redação. É mesmo? Se for assim, então elas já podem disputar a direção da Fenaj. Afinal, a maioria dos dirigentes sindicais não saberia a diferença entre um lead e uma touceira.
À diferença do que sustentam alguns energúmenos, sou jornalista “depromado”. Até hoje, não há uma miserável coisa que eu tenha feito na minha profissão — e não posso reclamar da escolha — que me tenha sido dada ou ensinada pelo curso de jornalismo: NADA! ZERO! Já o curso de letras, penso eu, foi essencial para mim — como é o de medicina, arquitetura, direito, culinária etc para outros jornalistas. Sempre destacando que há os que não cursaram coisa nenhuma e fazem um trabalho brilhante. E há pessoas brilhantes que fizeram jornalismo.
A profissão requer duas coisas, além de formação intelectual — que os cursos de jornalismo não fornecem porque passam boa parte do tempo ocupados em “desconstruir” os grandes veículos onde a meninada vai trabalhar depois… Jornalismo requer talento para a narrativa  mesmo a jornalística tem de ter enredo  e um conjunto de procedimentos técnicos, alguns deles ligados à ética da profissão. E é preciso ter algo parecido com intuição, mas que é só questão de inteligência: saber onde está a notícia. Vale dizer: cedo ou tarde, um jornalista tem de ler A Cartuxa de Parma, de Stendhal  ou vai acabar tratando um evento histórico como buraco de rua. Quem ensina isso? A faculdade de jornalismo???
Talento, lamento!, não se ensina. No máximo, ele pode ser lapidado. Nem todo mundo tem aptidão para a pintura, a música ou a dança. Com o texto, é a mesma coisa. Há gente que não nasceu para viver da escrita  e um jornalista tem de saber escrever, o que a faculdade não ensina. A lapidação se dá no exercício. O que boa parte dos cursos de jornalismo tem feito, aí sim, é distorcer a profissão. Transformaram-se, com raras exceções,  em extensões do “partido”. Professores se dedicam mais a falar do “outro mundo possível” do que a ensinar como se faz um lead neste nosso mundinho imperfeito mesmo.
Qual é, afinal, o objeto de um curso de jornalismo? Economia? Política? Sociologia? Semiótica? O quê? Resposta: um pouco de tudo isso e nada disso, mas com muitas virgulas entre sujeito e predicado… Se a exigência do diploma já era, do ponto de vista democrático, estúpida, agora se tornou incompatível também com as modernas tecnologias a serviço da informação. Quem poderá impedir, sem violentar a Constituição, um veículo jornalístico de abrigar, por exemplo, um blogueiro que tenha o que dizer, seja ele jornalista “depromado” ou não? Vão plantar batatas para colher Imposto Sindical, senhores corporativistas!!!
Que a Fenaj defenda essa excrescência, eis uma coisa que faz sentido. A entidade lutou arduamente em favor da criação do Conselho Federal de Jornalismo, que era um verdadeiro órgão de censura. Poderia até, imaginem!, cassar a licença de um jornalista. E se apresentou, espertos os caras!, para compor a primeira diretoria… O amor dessa gente pela profissão me comove. Contenho aqui uma furtiva lágrima…
InconstitucionalSó para lembrar: o STF derrubou a exigência do diploma porque ele foi considerado incompatível com o princípio da liberdade de expressão assegurado pela Carta. No caso, tratava-se de uma lei que afrontava o dispositivo constitucional; agora, é uma emenda.
E a proposta não deixa de ser inconstitucional porque emenda — afinal, o Artigo 5º da Carta continua no mesmo lugar, a saber:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(…)
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
(…)
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
Com alguma ironia, observo que, freqüentemente, tenho dúvidas se o jornalismo é mesmo uma “atividade intelectual”, mas tenho a certeza de que é uma “atividade de comunicação”. E não depende de “censura ou LICENÇA”.
Fim de papo.
PS - Se a Constituição, agora, vai abrigar regulamentação de profissão, por que só jornalismo? E as outras? O Ministério do Trabalho tem um código específico até para a prostituição, destacando os, digamos, requisitos para tal atividade. Imagino a questão tratada naquele que deve ser o nosso documento com sentido de permanência, naquela linguagem decorosa do legalismo: “O exercício das atividades intrafemurais obedece aos princípios do… Sei lá: “do contratante da mão-de-obra”? A boçalidade brasileira é ainda mais extensa do que suas praias…
VolteiO trecho que vai em azul foi publicado neste blog no dia 14 de julho de 2010. Ali faço uma piada com a regulamentação do “Profissional do Sexo”, que chegou a ser proposta no Brasil. No Catálogo das Profissões do Ministério do Trabalho, era a de nº 5.149. Escrevi um post  post sobre o assunto no dia 12 de março de 2007. A repercussão foi tal que o Ministério do Trabalho, então ocupado por Luiz Marinho, decidiu retirar o texto do site. A sede burocratizante do país é tal — somada a certa propensão para o vale-tudo — que uma página oficial, de um ente do Estado brasileiro, se atrevia a ensinar uma prostitua e um prostituto  o seu trabalho. Eu juro!
O Ministério fazia o que chamava uma “Descrição Sumária da atividade. Assim:
“Batalham programas sexuais em locais privados, vias públicas e garimpos; atendem e acompanham clientes homens e mulheres, de orientações sexuais diversas; administram orçamentos individuais e familiares; promovem a organização da categoria. Realizam ações educativas no campo da sexualidade; propagandeiam os serviços prestados. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam as vulnerabilidades da profissão.”
Notaram o sotaque sexual-esquerdopata?
O Ministério ensinava até o que era “batalhar um programa”, a saber:
Agendar a batalha
Produzir-se visualmente
Aguardar no ponto (esperar por quem não ficou
de vir)
Seduzir com o olhar
Abordar o cliente
Encantar com a voz
Seduzir com apelidos carinhosos
Conquistar com o tato
Envolver com o perfume
Oferecer especialidades ao cliente
Reconhecer o potencial do cliente
Dançar para o cliente
Dançar com o cliente
Satisfazer o ego
Encerro
É… Cheguei à conclusão de que certo subjornalismo errou o número do Catálogo. Está na “Atividade 5.149″… Afinal, trata-se de uma gente que, diante dos poderosos, “agenda a batalha, seduz com apelidos carinhosos, oferece especialidades ao cliente e dança para ele e com ele”.
Por Reinaldo Azevedo
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